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quarta-feira, março 26, 2014

Chapéu de nazarena | Chapéus de todo o mundo

imagem disponível em http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=287208

O traje nazareno reflete toda a identidade da terra de pescadores da Nazaré, e é, ainda hoje, usado regularmente pelas nazarenas.
É na pesca e nos trabalhos associados ao mar que este traje, tão singular, encontra toda a sua essência.

Para além das conhecidas "sete saias", o chapéu da nazarena é uma das peças de indumentária popular mais simbólicas e identificáveis deste traje.
Este chapéu de forma cilíndrica, com aba revirada, é feito em feltro de lã de cor preta. A sua particularidade assenta na decoração: uma fita de gorgorão preta à volta da copa que remata no lado direito com pompom de fio de seda preta.
Geralmente, no seu interior, as nazarenas colocavam uma rodilha para enformar a copa, e um lenço a cobrir os cabelos.

imagem disponível em http://trajesdeportugal.blogspot.pt/

Uma curiosidade...
Em caso de viuvez, o pompom é retirado do chapéu de nazarena.

Poderá encontrar este e outros chapéus tipicamente portugueses na exposição "Chapéus de todo o mundo", patente na sala dos Usos Sociais do Museu da Chapelaria até ao dia 2 de maio.

sábado, março 22, 2014

Akubra | Chapéus de todo o mundo


Os aborígenes australianos não tinham por hábito cobrir a cabeça. Com a colonização europeia chegou também o chapéu europeu. 
O modelo que se difundiu, um pouco por todo o continente da Oceânia, foi o de aba e copa larga que, com o passar do tempo, foi sendo decorado com materiais da região, como por exemplo, dentes de crocodilo, penas ou, ainda, pele de cobra.

O Akubra, mais do que um chapéu, é um autêntico ícone australiano.
Em 1874, Benjamin Dunkerley, oriundo de Inglaterra, decidiu abrir, na Tasmânia, uma chapelaria, a "Akubra Hat Factory".
Rapidamente, os seus chapéus de aba e copa larga ficaram conhecidos como os Akubra.

Este modelo foi imortalizado no cinema por Michael J. Dundee, conhecido como Crocodile Dundee.
Este é um caçador de crocodilos de um lugar isolado da Austrália. Pelas notícias que sobre ele chegam aos Estados Unidos, um periódico de Nova Iorque decide enviar uma jornalista para acompanhar as aventuras de Dundee. 
A filha do editor do jornal é escolhida para a tarefa. Depois de enviar várias matérias sobre Dundee ao periódico, e saber do êxito que teve, Sue convence-o a acompanhá-la a Nova Iorque para que o público o conheça melhor. Na grande cidade, tudo é novo e estranho para o caçador australiano, habituado a viver isolado.

quarta-feira, março 19, 2014

Kayleen | Chapéus de todo o mundo



A grande dimensão do continente africano e as suas diferenças climatéricas determinam a sua imensa variedade étnica e cultural.
O material usado na confeção dos chapéus africanos pode ser o algodão, a ráfia ou as fibras de plantas locais. Penas e dentes de animais, missangas e pequenos búzios são usados na decoração dos chapéus e ilustram o poder, status, prestígio de quem os usa.
 
O Kayleen, é um dos chapéus utilizados pelos Kuba, uma tribo da República Democrática do Congo.  
Este exemplar é decorado com missangas e búzios e destina-se a ser usado por nobres.

Uma curiosidade...
Sabia que os búzios eram usados ​​por toda a África como uma forma de moeda?
 
Venha descobrir um destes exemplares na exposição "Chapéus de todo o mundo", patente na sala dos Usos Sociais até 2 de maio.  
 
Imagem retirada de http://www.africaandbeyond.com/Lega-hat-B-congo.html

sábado, março 15, 2014

Montera | Chapéus de todo o mundo



 
O traje tradicional Quechua, dos habitantes do Peru, é bastante diversificado em questões de cor, pormenores e estilo, e difere de região para região.
Estes trajes tradicionais Quechuas, são ainda hoje usados ​​diariamente nos Andes peruanos .

O Montera é um dos chapéus típicos do traje feminino do Peru.
Este modelo remonta à civilização Inca. Apesar dos muitos séculos de imposição cultural ocidental, os habitantes do Peru têm mantido vários elementos da cultura Inca nos seus trajes.

Uma curiosidade...
Pelas franjas destes chapéus, é possível decifrar o estado civil da senhora ou menina que o está a usar.

Venha descobrir um destes exemplares na exposição "Chapéus de todo o mundo", patente na sala dos Usos Sociais até 2 de maio.

domingo, novembro 10, 2013

DOIDOS POR CHAPÉUS | já reservou o seu bilhete?



A conquista do Oeste Americano motivado pelo comércio do castor. Chapeleiros enlouquecidos por vapores de mercúrio. O chapéu como instrumento da expressão individual. Uma história de moda em três partes.

Um filme de Olivier Vandersleyen, a não perder, nos Paços da Cultura, dia 16 de novembro, pelas 21h30.
O realizador estará presente nesta sessão.


Contámos com a sua presença.

Mais informações: pacosdacultura@cm-sjm.pt ou 256 827 783

quarta-feira, março 06, 2013

Exposição temporária "As rendas de um chapéu"



EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA | SALA DOS USOS SOCIAIS
9 DE MARÇO A 11 DE MAIO
“As Rendas de um chapéu” traz à luz do dia os mais frágeis e belos chapéus da coleção do Museu da Chapelaria.

Decorados com finas e delicadas rendas, estes chapéus ilustram uma época especial onde as mulheres faziam combinar com rigor e elegância todos os elementos do seu vestuário.

Patente nesta exposição estarão também os chapéus dos alunos da escola secundária José Régio decorados com estas delicadas rendas.

sábado, janeiro 26, 2013

Chapéu do mês: a carapuça da Madeira


Imagem disponível aqui


Quando se fala de trajes típicos da ilha da Madeira, a primeira imagem que surge no imaginário de qualquer um de nós, é a de uma senhora de saia rodada, de fundo vermelho vivo listado com cores fortes, blusa branca, bota pela canela e carapuça azul com espigão.

No entanto, os trajes típicos desta região são bastante diversificados, devido quer aos microclimas existentes na mesma, quer às influências nacionais e internacionais de que foi alvo, por parte dos primeiros descobridores.
Apenas duas peças coincidem nas indumentárias, feminina e masculina: as botas chãs e a carapuça azul.

A carapuça é uma pequena cobertura de cabeça feita em lã, de cor azul, forrada a encarnado, com a forma de um funil invertido, que tem no alto uma pequena borla e nos lados dois apêndices que, ou se deixam cair sobre as orelhas, ou se levantam, prendendo-se, por vezes, num botão.
Mais do que uma proteção para o sol e para a chuva, esta espécie de barrete, é considerada um ornamento para a cabeça.

No que respeita à sua origem, consta-se que o uso deste barrete remonta a 1857. Admite-se que antes da carapuça se usava "um barrete de lã encarnado ou azul". Segundo alguns etnógrafos é filiada no toucado grego, no gorro medieval, na proveniência semita, em motivos arabescos e orientalizantes e nos usos e costumes de outras regiões portuguesas, nomeadamente o Minho.

O uso desta carapuça é de tal forma comum entre os madeirenses que deu origem a uma expressão popular: enfiar a carapuça. Esta surgiu para designar uma tomada de consciência, indesejada, mas adequada ao momento e à pessoa em questão. Então, assim, “enfia-se a carapuça” quando se sente atingido por comentário ou crítica não personalizados.


Bibliografia:
GÓIS, José Laurindo de, Antigos barretes madeirenses, Da Indumentária e Indústrias Madeirenses, Revista Atlântico, Vol. 6, p. 85-91, disponível em http://www.folcloredamadeira.com/recursos/artigos/antigosbarretes.htm
http://trajesdeportugal.blogspot.pt/2006/09/trajes-da-ilha-da-madeira.html
NÓBREGA, Maria Augusta Correia de, Tradições Madeirenses: A Carapuça, Funchal, 2004.
TEIXEIRA, Madalena Braz, O traje regional português e o folclore VII, disponível em http://www.oi.acidi.gov.pt/docs/Col_Percursos_Intercultura/1_PI_Cap7.pdf

quinta-feira, novembro 15, 2012

Guerreiros - Chapéus com História, arquivo Viarco.

Porque a História do chapéu está cheia de histórias para contar... 
Veja este spot publicitário dos chapéus Gerreiros, em 35mm para cinema do arquivo Viarco.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Peças do mês: o conformador e o formilho



O conformador e o formilho são ferramentas de medição precisa, da indústria da chapelaria, que se complementam e não podem ser dissociados.
Com o formato de um chapéu, o conformador permite a criação de um chapéu personalizado, em termos de tamanho e forma da cabeça do cliente.

O processo é, no mínimo, original e singular…

O primeiro passo consistia na colocação de um pedaço de papel no topo da copa do conformador.
 De seguida, colocava-se o mesmo sobre a cabeça do cliente, exactamente da mesma forma que se colocaria o chapéu. Fechava-se, então, a parte superior onde foi colocado inicialmente o papel.
A tampa era levantada, e as marcações que ficariam perfuradas no papel, definiam a medida e forma exactas da cabeça do cliente.

O conformador podia, então, ser removido da cabeça do cliente, e a folha de papel removida do conformador. Esta era recortada de modo a preservar o círculo interno da marcação.
O papel era colocado no interior do formilho, e cada uma das suas peças de madeira ficava ajustada ao mesmo.

Finalmente, o formilho era bloqueado. Era a partir desta base que seria produzida a forma com o formato
exacto da cabeça do cliente.

[Imagens disponíveis em http://www.morningdressguide.com/hats-morning-coat-suits/the-silk-top-hat/ e 
http://www.buckaroo.us/hatmaking.shtml]

 

sábado, maio 26, 2012

Chapéu do mês - Sombrero


Este belíssimo chapéu em veludo preto, ricamente decorado com lantejoulas e fios prateados, de aba larga e copa alta, foi adquirido em 1992, num mercado ao ar livre por Daniel Serra Vaz aquando a sua viagem ao México.
Doado em 2005, este extraordinário exemplar faz parte da coleção “Chapéus de Todo o Mundo”.

Considerado um dos ícones nacionais e culturais do México, o Sombrero foi um chapéu usado por todas as classes sociais, desde os ricos governadores das províncias mexicanas ao mais comum dos lavradores.
Apesar de atualmente já não fazer parte da vestimenta diária mexicana, o Sombrero foi persistindo como parte do traje folclórico nacional e como símbolo identificativo dos mariachi, artistas musicais mexicanos.
Este chapéu serviu bem o propósito da sua criação. Com as suas enormes abas proporcionam sombra suficiente para proteger a zona do pescoço e ombros. O seu nome vem comprovar este facto pois a palavra "sombrero" deriva da palavra espanhola "sombre" que, em português, significa "sombra".

sábado, janeiro 21, 2012

Os chapéus da Costa Braga


A chapelaria Costa Braga & Filhos, Lda. tem uma longa história de 140 anos que começa a ser contada aquando da criação da “Real e Imperial Chapelaria a Vapor de Costa Braga & Filhos”, sedeada na Rua Firmeza, no Porto.
Quatro vezes ao ano publicava o catálogo “A Moda”, com formato de revista, o que demonstra o elevado grau de prestígio industrial desta firma. Nessa publicação constavam artigos de opinião, referências aos clientes mais importantes como a Casa Real, bem como cartas de agradecimento de alguns clientes.
Conhecer a história desta emblemática empresa e os chapéus por ela produzidos é o desafio desta exposição.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Chapéu do mês - Chapéu de cowboy

O chapéu de cowboy, inventado por John B. Stetson em 1865, é sem dúvida, a peça de vestuário que melhor define quer a cultura norte-americana, quer a própria profissão de vaqueiro.

A razão de ser deste chapéu nasceu de necessidades reais existentes nesta profissão e não apenas para ser adorno pessoal.

Neste sentido, o chapéu de cowboy reúne determinadas características, nomeadamente no que respeita à matéria-prima, ao tamanho e ao formato que o tornam distinto.

O feltro, denso, resistente e impermeável protege a cabeça do vaqueiro não apenas do sol mas também dos coices e patadas frequentes a quem anda exposto ao gado. Simultaneamente, a sua impermeabilidade e tamanho permitem que este o utilize como bebedouro para dar água aos cavalos, podendo a sua copa levar entre 4 a 6 litros de água.

O modelo Dallas, ficou mundialmente conhecido por volta de 1980, na série de TV DALLAS, ao ser usado por um dos vilões, o J.R., tendo sido produzido em massa para o mercado norte-americano pela Empresa Industrial de Chapelaria, actualmente Museu da Chapelaria.

Pode ainda ver um exemplar deste modelo na exposição “Os chapéus dos meus heróis”, que está patente na Sala dos Usos Sociais. Lucky Luke será sempre o cowboy de chapéu branco!

sábado, junho 11, 2011

Chapéus do Museu do Traje

Nesta exposição apresentam-se alguns dos mais belos modelos de chapéus que marcaram toda esta década e que ficaram definitivamente associados à beleza e feminilidade das mulheres nos anos 50.
Todos os chapéus em exposição pertencem à colecção do Museu Nacional do Traje e encontram-se, actualmente, em depósito, no Museu da Chapelaria.




A década 50, do ponto de vista da moda, tem duas dinâmicas principais, por um lado, o glamour e o esplendor que se recupera após o conturbado período dos anos 40 e, por outro, a afirmação de uma juventude rebelde.


Estamos na época da ascensão do Rock & Roll de Elvis Presley e dos ídolos cinematográficos Marlon Brandon e James Dean. O espírito rebelde é simbolizado através das calças de ganga e casacos de cabedal.


Os Beatnicks dão início ao culto da liberdade ao ritmo do Jazz, do amor livre e do uso das drogas como experiência libertadora da consciência, experiências transpostas para várias correntes artísticas. É este movimento cultural que antecede os Hippies da década seguinte.


O New Look lançado por Christian Dior afirma-se na década de 50. Os vestidos acentuam a cintura fina das mulheres e os sapatos usam-se de salto alto. Os acessórios de luxo como os chapéus, as carteiras e luvas impõem-se no dia-a-dia.


As empresas de cosmética começam a descobrir a publicidade como fonte de transmissão de imagens de beleza. A maquilhagem atinge a sua idade de ouro e marcas como a Revlon, Helena Rubinstein, Elizabeth Arden e Estée Lauder colocam no mercado todo o tipo de sombras, rímel, lápis e delineadores.


O expoente da beleza feminina é representado por actrizes como Grace Kelly, Audrey Hepburn, Rita Hayworth, mas também, Marylin Monroe e Brigitte Bardot, que aliam, como poucas, a ingenuidade e a sensualidade de uma forma que arrebata os corações dos homens e servem de exemplo às mulheres.


A alta-costura parisiense vive o seu período áureo. A Maison Chanel, que esteve fechada durante o período de guerra, volta a abrir portas em 1954. Apesar de já ter 70 anos, Coco Chanel cria algumas peças que marcam o mundo da moda a nível mundial. Outros nomes como Givenchy, Nina Ricci, Dior ou Balenciaga fazem dos anos 50 uma época de sofisticação e classe.


Em 1954, Roger Vivier inventa o salto agulha e é um dos desenhadores de sapatos que mais colabora com Dior e vários outros estilistas da época.


Mas, em contrapartida, à medida que a alta-costura chega ao máximo requinte, nos Estados Unidos, o Ready to Wear (pronto-a-vestir), a par das novas soluções tecnológicas e produção de massa, dá às pessoas o acesso a novas colecções.


Mas esta época de glamour estava a chegar ao fim. A guerra-fria, a conquista do espaço, os avanços científicos e as mudanças culturais moldavam o mundo para diferentes caminhos que só se vieram a acentuar na década seguinte.


sábado, abril 02, 2011

Chapéus há muitos! Chapéu de Cantoneiro



Os cantoneiros eram funcionários públicos, durante o Estado Novo, ao serviço do Ministério das Obras Públicas, que tinham como função manter as estradas nas melhores condições possíveis, sendo responsáveis pela sua limpeza, conservação e reparação sempre que necessário.

Usavam uma farda de trabalho oficial composta por calças e casaco em tons cinza azeitona e/ou acastanhada, botas de ensebar, e um chapéu de abas semi-largas, arredondado no topo.

Como trabalhadores alfabetizados que eram, tinham que conhecer de cor O Manual do Cantoneiro, instrumento de formação profissional que ensinava o ofício do cantoneiro e exigia o rigoroso cumprimento de todas as regras, em particular das do vestuário.

No que diz respeito ao trajar, esta cartilha referia que:

O pessoal cantoneiro deve apresentar-se na estrada convenientemente uniformizado, de harmonia com o que está estabelecido, barbeado e de cabelo cortado, não esquecendo nunca que deve impor-se pela sua apresentação. (…) Os cantoneiros poderão trazer, por debaixo da camisa regulamentar, os agasalhos que lhes forem necessários, não lhes sendo, porém, permitido envergar sobre a farda qualquer outra peça de vestuário, além do casaco e calça impermeável, fato de couro ou fato de macaco, quando estiverem trabalhando com betume. Durante o verão usarão a camisa com a gola aberta nos dois primeiros botões e as mangas arregaçadas, se o calor a isso obrigar. Os chapéus regulamentares serão usados sem a copa e a aba se apresentarem deformadas.

Fonte: Manual do cantoneiro: serviços de conservação das vias municipais / Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização. - Lisboa: D.G.S.U., 1954. - 66, [1] p.: il.

Com o seu característico fardamento, os cantoneiros eram figuras verdadeiramente carismáticas que prestavam grande apoio às populações. Eles faziam autêntico serviço público quando davam informações aos turistas ou de uma forma geral a todos os automobilistas que circulavam nas estradas nacionais e lhas solicitavam.

Actualmente, esta profissão já se encontra extinta.

sábado, maio 15, 2010

Chapéu do Mês: Sombrero


Considerado um dos ícones nacionais e culturais do México, o Sombrero foi um chapéu usado por todas as classes sociais, desde os ricos governadores das províncias mexicanas ao mais comum dos lavradores.
Apesar de actualmente já não fazer parte da vestimenta diária mexicana, o Sombrero sobrevivendo como parte do traje folclórico nacional e como símbolo identificativo dos mariachi, artistas músicais mexicanos.

Quanto às suas origens, enquanto uns defendem terem sido os trabalhadores mestiços da fronteira mexicana que, para se protegerem do intenso calor, criaram uma cobertura de grandes proporções feita de feno entrançado, já outros defendem terem sido os vaqueiros de Guadalajara, capital de Jalisco, os seus criadores.
Porém a teoria mais credível é a de que o Sombrero é um modelo com influências espanholas, tendo evoluído de um outro modelo de aba larga chamado Poblano.
Característico pela sua copa cónica, pela sua enorme aba lisa ou enrolada, pelo barboquejo de prender ao queixo e, acima de tudo, pela sua riquíssima e pormenorizada ornamentação, este modelo era fabricado manualmente por chapeleiros mexicanos.
Os modelos de palha entrelaçada, de cor dourada, e adornados com contas de fio de algodão eram usados pelas camadas mais pobres, enquanto os modelos de feltro, com forro de veludo, contas de prata e bordados a fio de prata, eram já usados pelas camadas mais altas da sociedade.

Este chapéu serviu bem o propósito da sua criação com as suas enormes abas que fornecem sombra suficiente para proteger a zona do pescoço e ombros e até o seu nome vem comprovar este facto pois a palavra "sombrero" deriva da palavra espanhola "sombre" que, em português, significa "sombra".

Antigamente, em conjunto com o sombrero, os homens também usavam o serapes, uma manta com um buraco no centro que os protegia do vento e do pó e que, devido ao seu tamanho, também servia de esconderijo para o transporte de armas.
Esta imagem do homem mexicano de sombrero e serapes, muito semelhante à do cowboy americano, foi eternizada em inúmeros filmes mexicanos e americanos e até mesmo em desenhos animados.
Quem não se lembra de um pequneo e veloz rato com um enorme sombrero na sua cabeça, chamado Speedy Gonzalez?

segunda-feira, abril 05, 2010

Chapéu do Mês - Pickelhaube



A partir de meados do século XIX e até ao início do século XX, o Pickelhaube tornou-se um dos modelos de capacetes militares mais célebres de todo o mundo.
Este terá sido desenhado em 1842 por Frederico Guilherme IV, rei da Prússia, apesar da existência de modelos semelhantes no exército russo, tendo sido introduzido por ordem imperial a 23 de Outubro de 1842 na Infantaria prussiana e posteriormente nos restantes principiados alemães.

O Pickelhaube original, de tradução literal, chapéu com ponta, era um capacete de couro envernizado de cor preta, com uma altura entre 34 e 38 cm, que possuía um visor de forma quadrada, um espigão no topo e guarnições em latão ou prata que simbolizavam a Nação. Na Prússia, a imagem mais comum consistia numa águia de asas abertas.
Ao longo da segunda metade do século XIX, o Pickelhaube foi adoptado por forças armadas de vários países, acabando o modelo original por sofrer variações tanto no desenho como nas matérias-primas utilizadas.
Nas variantes mais comuns, o material primário passou a ser o tecido ou o feltro, os espigões ora mudavam de tamanho e formato ora desapareciam para dar lugar a enormes crinas ou plumas.

Com o final da I Guerra Mundial (1914-1918), o Pickelhaube, capacete militar oficial dos estados vencidos (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano), pelo seu simbolismo imperial ganhou uma conotação tão negativa que acabou por ser gradualmente afastado do cenário militar activo.
A partir da década de 30 do século XX e até à actualidade, passou não só a fazer parte do uniforme de gala das forças armadas ou guarda de honra, mas acabou também por ser adoptado por outras instituições como a polícia, bombeiros, escolas com bandas de música de países de todo o mundo.

Em Portugal, a Unidade de Segurança e Honras de Estado (USHE) que incluí o Esquadrão Presidencial, a Charanga a Cavalo, a Banda da Guarda, o Grupo de Honras de Estado e o Grupo de Segurança, adoptaram o Pickelhaube com algumas variantes no seu fardamento.
Todos os capacetes são de cor preta com visor quadrado ou triangular e contêm a imagem do Escudo de Armas de Portugal na guarnição frontal, as variações encontram-se no espigão, tendo uns apenas o espigão e noutros foi adicionada ao mesmo uma longa crina branca.

sábado, janeiro 16, 2010

Chapéu do Mês: Toque


A verdadeira origem do Toque, ou chapéu de chef, encontra-se diluída em inúmeras histórias e lendas que hoje dão origem a verdadeiras teorias.

A mais antiga remonta a 1170 a.C, na Assíria, onde os chefs de cozinha eram os únicos a quem era permitido usar um adorno de cabeça semelhante à coroa do seu soberano.
Outra história aponta a sua origem para as cozinhas dos castelos, onde as gorduras acumuladas no tecto caiam com frequência e, para proteger as cabeças dos chefs, as governantas engomavam panos que, depois de enrolados na cabeça, formavam um cilindro alto com uma bolsa no topo onde eram colocados pedaços de tecido para amortecer a queda da gordura.

Ao longo dos séculos o Toque foi ganhando forma e cor e, em meados do século XVIII, o chef Antoine Careme terá introduzido a cor branca para o chapéu, símbolo da higiene que deveria existir nas cozinhas, e diferentes alturas na sua copa, simbolizando estas o status do chef.
Por esta altura havia ainda muitas variações, os espanhóis usavam boinas de lã ou algodão; os alemães adoptaram um chapéu parecido ao barrete frígio com uma bola no topo; os ingleses tinham chapéus escoceses endurecidos e coifas pretas.

Contudo apesar de todas estas variantes, o Toque era usado com uma função simbólica e funcional, tendo sido concebido para manter o cabelo do chef limpo, para permitir a circulação de ar no seu interior arrefecendo a cabeça de quem o usa, para prevenir a queda de cabelo na comida e para absorver a transpiração acumulada na testa.

Provavelmente devido ao nível de conforto e à sua imponência, o Toque alto branco plissado que todos conhecemos como chapéu de chef, acabou por se tornar o modelo mais adoptado no século XX.

E já agora, sabia que?

Alguns chefs tinham por costume guardar as suas receitas dentro dos seus chapéus para que não as perdessem nem as pudessem roubar?

Os grandes chefs afirmavam que conseguiam servir, durante um ano, um prato de ovo diferente e com sabores diferentes. O Toque alto moderno passou a ser fabricado com 100 plissas na copa, que simbolizavam esta rara capacidade.

sexta-feira, junho 13, 2008

A Lenda de São Tiago

"São Tiago Maior"(1661) - Rembrandt

São Tiago, apostolo mártir, filho de Zebedeu e irmão de São João Evangelista, cuja festa se comemora a 25 de Julho é, desde longa data, o padroeiro dos chapeleiros. Pouco se sabe sobre esta lenda, não existindo nenhum relato escrito da mesma, sendo transmitida, oralmente, através dos tempos. Mas é a São Tiago que se atribui a descoberta do segredo que deu origem à indústria de chapelaria. Reza a lenda que São Tiago tinha por costume, para se defender do frio nos pés, forrar as suas sandálias com peles de coelho. O pêlo friccionado e aquecido com o calor dos pés feltrava, ou seja, tornava-se espesso, consistente, formando uma pasta grossa e densa. Diz-se que foi desta forma que se descobriu o processo de feltragem que ao longo dos tempos foi evoluindo até dar origem ao moderno fabrico dos chapéus. Sabe-se porém, que o processo de feltragem, devido a achados arqueológicos, é muito anterior. Os achados arqueológicos mais antigos, que reportam ao uso de feltros, estão na Turquia. Foram encontradas pinturas nas paredes que datam de 6500 a 3000 A.C. cujo motivo se refere à aplicação de feltro.
Em Pazyryk, no sul da Sibéria, foram encontradas evidências de feltro dentro de um túmulo de um chefe tribal nómada que data do século V a.c.
Os chapeleiros de São João da Madeira mandaram esculpir uma imagem de São Tiago para venerarem o padroeiro, encontrando-se num dos altares da Igreja Matriz desta cidade.