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quinta-feira, novembro 26, 2015

Ciência e Tecnologia no Museu da Chapelaria



tin·gir - Conjugar
(latim tingo, -ere, banhar, molhar, colorir)

verbo transitivo
1. Meter ou molhar em tinta, alterando a cor
2. Colorir

verbo pronominal3. Tomar certa cor

"tingimento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/tingimento [consultado em 11-11-2015].


O tingimento de têxteis é um dos fatores-chave no sucesso comercial das indústrias têxteis.

Para além da beleza das tonalidades e padrões criados, o cliente-consumidor exige que este produto tenha também um elevado grau de fixação da cor em relação à luz, à lavagem e à transpiração.

Este método, que data de cerca de 3.000 a.C., traduz-se numa ação química onde o uso de corantes, auxiliados por mordente e produtos auxiliares, vai alterar de forma permanente a cor das fibras têxteis. Esta ação pode ser realizada através de uma solução ou, então, por dispersão.

É só em 1856 que surge, de forma acidental e pela mão de William Perkin, o primeiro corante sintético, a anilina púrpura. Até este período eram usados corantes naturais, extraídos de plantas como o pau-brasil (vermelho), o açafrão (amarelo), a anileira (azul), o campeche (roxo e preto) a urzela (púrpura) ou de animais, como a cochonilha (vermelho).

Os mordentes, usados para fixar a cor à fibra e dando-lhe maior durabilidade e resistência aos elementos externos, também eram de origem vegetal, animal e até mineral. Ao longo dos tempos usaram-se os mais extravagantes produtos como urina, leite de búfalo e até azeite rançoso mas, o mais popular, foi o ácido tânico, extraído da noz de galha.

O método de tingimento é diferente de fibra para fibra uma vez que, tendo características únicas, são exigidos corantes, mordentes e fórmulas específicos para cada uma.

Também na indústria de chapelaria, o sector de tinturaria era considerado um dos mais importantes para o sucesso do negócio. Na antiga Empresa Industrial de Chapelaria, Lda., hoje Museu da Chapelaria, foi criado um amplo laboratório equipado já com maquinaria específica, onde eram criadas, quantas vezes em grande segredo, as preciosas fórmulas para o tingimento dos feltros.

Legenda da imagem | Imagens retiradas de https://commons.wikimedia.org/wiki/File:43_Reseda_luteola_L.jpg | https://sejagreen.wordpress.com/tag/corantes/ | http://corlaland.blogspot.pt/2013/11/carmin-de-quermes-o-cochinilla.html | https://www.flickr.com/photos/heart-break-house/3385743707 | http://iranpazirik.com/htmls/indigo.htm | https://no.wikipedia.org/wiki/Bl%C3%A5tre | http://www.hipernatural.com/es/pltalazor.html | http://www.prota4u.org/protav8.asp?p=Bixa+orellana | http://www.pantareiwater.com/images/Immagine1---WTP_crop.gif |http://www.ictioterm.es/nombre_cientifico.php?nc=208 | http://www.dsource.in/gallery/gallery-0139/index.html

sábado, junho 07, 2014

Deerstalker | Chapéus de todo o mundo


Inicialmente usado, em Inglaterra, por caçadores de veados do século XIX, o deerstalker é, hoje em dia, frequentemente associado à profissão de detetive.
Uma curiosidade...
... o escritor britânico Arthur Conan Doyle (1859-1930), criador de Sherlock Holmes, nunca mencionou que esta personagem usava chapéu.
O uso de chapéu deerstalker por Sherlock Holmes deve-se ao ilustrador Sidney Paget (1860-1908), que como gostava de usar este tipo de chapéu, resolveu associar o mesmo à personagem.
Aproveite este fim-de-semana para conhecer a exposição "Chapéus de todo o mundo", onde poderá encontrar um exemplar deste lendário chapéu.
imagem disponível em http://moncabinetdecuriosites.tumblr.com/post/1428338874/theshipthatflew-sherlock-holmes-and-dr-watson

sexta-feira, novembro 23, 2012

O chapéu de palha... no cinema







Criado em 1928 por René Clair, este filme mudo é uma adaptação da peça Un Chapeau de paille d’Italie, de 1851, escrita por Eugène Labiche e Marc Michel.
O chapéu de palha é o elemento-chave que dá continuidade à trama desta comédia de costumes.
O filme é uma sátira espirituosa onde o decoro, a mentalidade e o comportamento da sociedade burguesa se reflecte nas características hilariantes das suas personagens, como o pai da noiva a usar uns sapatos de tamanho pequeno ou o seu primo com a sua gravata sempre a cair.

Sinopse

A caminho do seu casamento com Helene, o cavalo de Fadinard come um chapéu de palha que se encontrava num arbusto perto da estrada. O chapéu pertencia a Madame De Beauperthuis que estava atrás desse mesmo arbusto com o seu amante, o Tenente Tavernier.
Tendo o chapéu sido uma oferta do seu marido, Madame De Beauperthuis viu-se impossibilitada de voltar para casa e por isso, o Tenente Tavernier vai exigir a Fadinard que o substitua por um chapéu exactamente igual, ameaçando-o caso Fadinard não o fizesse.
Fadinard tenta, quase desesperadamente, encontrar um chapéu igual dentro do pouco tempo que tem para o seu casamento mas surgem várias complicações que põem tudo em risco...

sexta-feira, outubro 19, 2012

O Chapéu de Palha... na Arte



                                                 
                                 Auto-Retrato com Chapéu de Palha [1887]                      O Ceifeiro (segundo Millet) [1889]                           Camponesa com chapéu de palha sentada
                                                                                                                                                                                            em frente de uma seara [1890]

Gostaria de pintar retratos que daqui a cem anos aparecessem como uma revelação (...) não por fidelidade fotográfica, mas antes pela valorização dos nossos conhecimentos e do nosso gosto presente na cor, como meio de expressão e exaltação do caráter.
Van Gogh

Vincent Willem van Gogh (30 março 1853 – 29 julho 1890), pintor pós-impressionista holandês, é considerado, na arte, um pioneiro na ligação entre as tendências impressionistas e as aspirações modernistas.

As suas obras, caracterizadas pelo uso de cores vivas, pelas pinceladas irregulares e pelo seu grande impacto emocional, tiveram grande influência na arte do século XIX e XX. Van Gogh foi um artista das emoções e do intenso uso do amarelo. Ele acreditava que as cores podiam mostrar uma parte ou o todo da personalidade de um indivíduo.

Muitas das suas obras representam cenários rurais e as vidas de camponeses e artesãos, fruto da grande admiração que tinha para com este grupo da sociedade. E aqui, o chapéu de palha, objecto que se associa ao duro trabalho do campo, destaca-se como parte da sua indumentária. Mas também surge noutras obras suas, como nas naturezas mortas, nos retratos e autoretratos.

Em 10 anos de carreira Van Gogh pintou mais de 800 quadros porém o sucesso só lhe foi reconhecido postumamente, aquando da exibição das suas telas, em Paris, a 17 de Março de 1901.

Para conhecer melhor a vida e obra deste pintor consulte o site do museu Van Gogh em http://www.vangoghmuseum.nl/vgm/

terça-feira, setembro 11, 2012

Documento do mês: Catálogos




Os catálogos eram uma das melhores formas de divulgação dos inúmeros modelos e marcas de chapéus de feltro, de palha e de pano produzidos na Empresa Industrial de Chapelaria.

Para além de serem usados na própria empresa, juntamente com os mostruários, estes documentos, que apresentavam as coleções e as novidades da época, eram também usados pelos comerciais aquando das suas visitas aos clientes.  

Alguns catálogos eram específicos de determinadas marcas, como a Guerreiros ou a Palmares, produzidas em exclusivo por esta empresa para todo o país.
Aliadas às imagens alguns estes catálogos também possuíam imagens representativas dos momentos ideais para o uso do modelo ou pequenas frases incitando ao seu uso.

Estes belíssimos documentos encontram-se disponíveis no Centro de Documentação.

quinta-feira, março 15, 2012

Unhas Negras



Ergueram-se os apropriagistas, - a fidalguia da classe – melhor encadernados, de gravata (até corrente de prata, este ou aquele (…) Ergueram-se os fulistas, figuras de fadiga mais apagadas, pálidas dos vapor tóxico das fulas, metidos em si mesmos, como que conscientes do rigor da sua insignificância como membros da classe. (…) E ergueram-se também os do grosso - os da lã – os mais menos, os párias dos párias, muito inseguros de si, visivelmente envergonhados entre a mais camaradagem. Desengonçados, pálidos, de fisionomias fixas, sem vida, sem expressão, mais pareciam figuras de cera num museu histórico.
CORREIA, João da Silva. Unhas Negras, S. João da Madeira, 2003, pág. 48

 

Inspirado num episódio verídico, decorrido na antiga Fábrica Nova, local onde hoje se encontra o Museu da Chapelaria, a obra “Unhas Negras” imortaliza e presta homenagem a um dos ofícios que esteve na génese da criação da identidade sanjoanense, o ofício de chapeleiro.

Na sua obra João da Silva Correia trata das dificuldades e miséria dos operários chapeleiros e das injustiças de uma sociedade desprovida de sentido humano e social. Os personagens que vão surgindo personificam, por um lado, os dramas sociais e as condições precárias de vida como as extensas famílias, a fome, a doença ou o desamparo na velhice destes operários, mas por outro, sublinham também a determinação, a tenacidade e o orgulho destes trabalhadores sanjoanenses.

Este livro encontra-se disponível para consulta no Centro de Documentação e para venda na loja do Museu da Chapelaria. 



This historic romance entitled Unhas Negras is based on true events that occured in S. João da Madeira and presents the working and social conditions of the hatters in the begining of the XX century. It is available to study/reading in the museum Documentation Center and is also available for sale in the museum store.

sábado, maio 15, 2010

Chapéu do Mês: Sombrero


Considerado um dos ícones nacionais e culturais do México, o Sombrero foi um chapéu usado por todas as classes sociais, desde os ricos governadores das províncias mexicanas ao mais comum dos lavradores.
Apesar de actualmente já não fazer parte da vestimenta diária mexicana, o Sombrero sobrevivendo como parte do traje folclórico nacional e como símbolo identificativo dos mariachi, artistas músicais mexicanos.

Quanto às suas origens, enquanto uns defendem terem sido os trabalhadores mestiços da fronteira mexicana que, para se protegerem do intenso calor, criaram uma cobertura de grandes proporções feita de feno entrançado, já outros defendem terem sido os vaqueiros de Guadalajara, capital de Jalisco, os seus criadores.
Porém a teoria mais credível é a de que o Sombrero é um modelo com influências espanholas, tendo evoluído de um outro modelo de aba larga chamado Poblano.
Característico pela sua copa cónica, pela sua enorme aba lisa ou enrolada, pelo barboquejo de prender ao queixo e, acima de tudo, pela sua riquíssima e pormenorizada ornamentação, este modelo era fabricado manualmente por chapeleiros mexicanos.
Os modelos de palha entrelaçada, de cor dourada, e adornados com contas de fio de algodão eram usados pelas camadas mais pobres, enquanto os modelos de feltro, com forro de veludo, contas de prata e bordados a fio de prata, eram já usados pelas camadas mais altas da sociedade.

Este chapéu serviu bem o propósito da sua criação com as suas enormes abas que fornecem sombra suficiente para proteger a zona do pescoço e ombros e até o seu nome vem comprovar este facto pois a palavra "sombrero" deriva da palavra espanhola "sombre" que, em português, significa "sombra".

Antigamente, em conjunto com o sombrero, os homens também usavam o serapes, uma manta com um buraco no centro que os protegia do vento e do pó e que, devido ao seu tamanho, também servia de esconderijo para o transporte de armas.
Esta imagem do homem mexicano de sombrero e serapes, muito semelhante à do cowboy americano, foi eternizada em inúmeros filmes mexicanos e americanos e até mesmo em desenhos animados.
Quem não se lembra de um pequneo e veloz rato com um enorme sombrero na sua cabeça, chamado Speedy Gonzalez?

segunda-feira, abril 05, 2010

Chapéu do Mês - Pickelhaube



A partir de meados do século XIX e até ao início do século XX, o Pickelhaube tornou-se um dos modelos de capacetes militares mais célebres de todo o mundo.
Este terá sido desenhado em 1842 por Frederico Guilherme IV, rei da Prússia, apesar da existência de modelos semelhantes no exército russo, tendo sido introduzido por ordem imperial a 23 de Outubro de 1842 na Infantaria prussiana e posteriormente nos restantes principiados alemães.

O Pickelhaube original, de tradução literal, chapéu com ponta, era um capacete de couro envernizado de cor preta, com uma altura entre 34 e 38 cm, que possuía um visor de forma quadrada, um espigão no topo e guarnições em latão ou prata que simbolizavam a Nação. Na Prússia, a imagem mais comum consistia numa águia de asas abertas.
Ao longo da segunda metade do século XIX, o Pickelhaube foi adoptado por forças armadas de vários países, acabando o modelo original por sofrer variações tanto no desenho como nas matérias-primas utilizadas.
Nas variantes mais comuns, o material primário passou a ser o tecido ou o feltro, os espigões ora mudavam de tamanho e formato ora desapareciam para dar lugar a enormes crinas ou plumas.

Com o final da I Guerra Mundial (1914-1918), o Pickelhaube, capacete militar oficial dos estados vencidos (Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano), pelo seu simbolismo imperial ganhou uma conotação tão negativa que acabou por ser gradualmente afastado do cenário militar activo.
A partir da década de 30 do século XX e até à actualidade, passou não só a fazer parte do uniforme de gala das forças armadas ou guarda de honra, mas acabou também por ser adoptado por outras instituições como a polícia, bombeiros, escolas com bandas de música de países de todo o mundo.

Em Portugal, a Unidade de Segurança e Honras de Estado (USHE) que incluí o Esquadrão Presidencial, a Charanga a Cavalo, a Banda da Guarda, o Grupo de Honras de Estado e o Grupo de Segurança, adoptaram o Pickelhaube com algumas variantes no seu fardamento.
Todos os capacetes são de cor preta com visor quadrado ou triangular e contêm a imagem do Escudo de Armas de Portugal na guarnição frontal, as variações encontram-se no espigão, tendo uns apenas o espigão e noutros foi adicionada ao mesmo uma longa crina branca.

terça-feira, janeiro 26, 2010

André Gago de visita ao Museu



De passagem pela cidade de S. João da Madeira, após ter actuado com José Eduardo e Marcela da Costa nos Paços da Cultura com a cómica peça "Quarto 108", o actor André Gago não deixou de visitar o Museu da Chapelaria.
Agradecemos ainda a sua colaboração e simpatia para a fotografia.

terça-feira, outubro 13, 2009

Brinquedos com chapéu

O chapéu também influenciou a moda dos brinquedos. Os chapéus davam mais personalidade às personagens, como por exemplo o personagem do filme Toy Story, que usa um chapéu de Cowboy ou na história de Alice no País das Maravilhas com o chapeleiro Louco ou mesmo nas histórias infantis mais recentes como o Noddy....

Neste caso, temos um comercial de TV de uma boneca Tressy (anos 60) que complementa o seu guarda-roupa com alguns chapéus maravilhosos que os seus proprietários podem fazer ao seu gosto.