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sexta-feira, novembro 27, 2015

Ciência e Tecnologia no Museu da Chapelaria


substantivo feminino
Operação de feltrar


"feltragem", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/feltragem [consultado em 18-11-2015].

A feltragem, técnica com cerca de 7000 anos, dá origem a um tecido denominado feltro. Apesar de ter origem desconhecida, algumas civilizações e culturas reclamam o ato da sua criação, como a Suméria ou a Mongólia, havendo também algumas lendas, como a da Arca de Noé ou a de Santiago, que justificam a sua criação.

O feltro é um tecido não tecido uma vez que é formado através da compactação das fibras e não da sua tecelagem, podendo ser considerado um tecido natural ou sintético.

Para a criação de feltro natural usam-se fibras animais (lã, pelo de coelho, lebre ou castor) e a técnica manual ou industrial mas para o feltro sintético, criado industrialmente, usam-se fibras de poliéster, acrílico e polipropileno. Mas ambos têm aplicações muito vastas sendo usados na indústria da chapelaria, na têxtil, na automobilística, na de instrumentos musicais, na construção civil e, naturalmente, no artesanato. 

A feltragem pode, ainda, ser realizada através do método molhado, com agulhas (método seco), ou com a mistura de ambos. 

No método molhado, a aplicação simultânea de pressão, de fricção e de humidade (por vapor ou água quente) nas fibras naturais ajuda a dilatar os folículos e facilita o entrelaçamento das fibras. Este método é usado para criar objetos tridimensionais de grande dimensão e feltros em placa.

No método seco, agulhas muito aguçadas e com pequenas ranhuras, dispostas ao longo do seu eixo, são inseridas rápida e repetidamente nas fibras. O número da agulha, a forma da ponta e o ângulo das ranhuras determinam a precisão do trabalho que está a ser executado. 
Quando aplicado às fibras naturais, este método permite a criação de objetos tridimensionais de pequenas e de grandes dimensões.

A antiga Empresa Industrial de Chapelaria, Lda., hoje Museu da Chapelaria, especializou-se no fabrico industrial de feltros de lã, de pelo de coelho e de castor para a chapelaria, trabalho que exige o uso do método molhado e de mais de uma dezena de etapas até que o processo de feltragem possa ser dado como concluído.

Legenda da imagem | Imagens retiradas de https://livingfelt.wordpress.com/tag/needle-felted-bunny/ | https://www.pinterest.com/janweb4/sewing-projects-for-adults/ | https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/e4/00/93/e400931b739f02cbff801d196ba9836d.jpg | http://afflante.com/8737-joseph-lamp-collection-ludovic-roth-design-studio/ | http://curlybirds.typepad.com/curly-birds/2012/09/the-beginners-guide-to-felting-wet-felting-with-kids.html | http://feltingsupplies.livingfelt.com/Wet-Felting-Slippers-Kit_p_520.html | http://cover-magazine.com/picks/the-best-chairs-at-milan-design-week-2013/ | http://www.textileartist.org/category/interview/felt/page/2/

quinta-feira, novembro 26, 2015

Ciência e Tecnologia no Museu da Chapelaria



tin·gir - Conjugar
(latim tingo, -ere, banhar, molhar, colorir)

verbo transitivo
1. Meter ou molhar em tinta, alterando a cor
2. Colorir

verbo pronominal3. Tomar certa cor

"tingimento", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/DLPO/tingimento [consultado em 11-11-2015].


O tingimento de têxteis é um dos fatores-chave no sucesso comercial das indústrias têxteis.

Para além da beleza das tonalidades e padrões criados, o cliente-consumidor exige que este produto tenha também um elevado grau de fixação da cor em relação à luz, à lavagem e à transpiração.

Este método, que data de cerca de 3.000 a.C., traduz-se numa ação química onde o uso de corantes, auxiliados por mordente e produtos auxiliares, vai alterar de forma permanente a cor das fibras têxteis. Esta ação pode ser realizada através de uma solução ou, então, por dispersão.

É só em 1856 que surge, de forma acidental e pela mão de William Perkin, o primeiro corante sintético, a anilina púrpura. Até este período eram usados corantes naturais, extraídos de plantas como o pau-brasil (vermelho), o açafrão (amarelo), a anileira (azul), o campeche (roxo e preto) a urzela (púrpura) ou de animais, como a cochonilha (vermelho).

Os mordentes, usados para fixar a cor à fibra e dando-lhe maior durabilidade e resistência aos elementos externos, também eram de origem vegetal, animal e até mineral. Ao longo dos tempos usaram-se os mais extravagantes produtos como urina, leite de búfalo e até azeite rançoso mas, o mais popular, foi o ácido tânico, extraído da noz de galha.

O método de tingimento é diferente de fibra para fibra uma vez que, tendo características únicas, são exigidos corantes, mordentes e fórmulas específicos para cada uma.

Também na indústria de chapelaria, o sector de tinturaria era considerado um dos mais importantes para o sucesso do negócio. Na antiga Empresa Industrial de Chapelaria, Lda., hoje Museu da Chapelaria, foi criado um amplo laboratório equipado já com maquinaria específica, onde eram criadas, quantas vezes em grande segredo, as preciosas fórmulas para o tingimento dos feltros.

Legenda da imagem | Imagens retiradas de https://commons.wikimedia.org/wiki/File:43_Reseda_luteola_L.jpg | https://sejagreen.wordpress.com/tag/corantes/ | http://corlaland.blogspot.pt/2013/11/carmin-de-quermes-o-cochinilla.html | https://www.flickr.com/photos/heart-break-house/3385743707 | http://iranpazirik.com/htmls/indigo.htm | https://no.wikipedia.org/wiki/Bl%C3%A5tre | http://www.hipernatural.com/es/pltalazor.html | http://www.prota4u.org/protav8.asp?p=Bixa+orellana | http://www.pantareiwater.com/images/Immagine1---WTP_crop.gif |http://www.ictioterm.es/nombre_cientifico.php?nc=208 | http://www.dsource.in/gallery/gallery-0139/index.html

quarta-feira, novembro 25, 2015

Ciência e Tecnologia no Museu da Chapelaria


substantivo feminino
1. Pelo do carneiro e de outros animais
2. Tecido feito de lã
3. [Por extensão] Cotão, lanugem
4. Carapinha

"lã", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/la [consultado em 10-11-2015].

Proveniente de carneiros, ovelhas, borregos e cordeiros, a lã é formada por milhares de fibras cilíndricas de espessura fina, com um perfil ondulado e diferentes qualidades. Cada fibra é formada por uma ponta, só existente nas da primeira tosquia, por um eixo preenchido por células dispostas em espiral e por uma raiz, com um bolbo para o desenvolvimento de novas células.

Considerada a fibra animal mais resistente, a lã é um ótimo elemento isolador devido às suas moléculas de queratina, tem grande poder de absorção podendo embeber até 50% do seu peso, é elástica, é resistente à tração e torção e tem grande capacidade aderente sendo, por isso, usada na indústria têxtil, de chapelaria, automóvel, de isolamentos, de calçado e muitas outras.

A sua cor pode variar entre vários tons que vão do branco, amarelo, castanho, cinzento e preto até às mesclas mas, quanto mais escura for a cor da fibra, menor será a sua qualidade.

Em Portugal, a lã provém de diferentes raças espalhadas por todo o país como a Bordaleira, a Campaniça, a Churra, a Mondegueira, a Saloia ou a Serra da Estrela, mas é a raça Merino a que fornece a melhor lã, caracterizando-se por ter fibras muito finas, frisadas e de toque suave. 

Em 1914, a antiga Empresa Industrial de Chapelaria, Lda., hoje Museu da Chapelaria, ganhou grande destaque por ser a única em S. João da Madeira a deter o monopólio de produção e comercialização do chapéu feito de lã merino e que, à época, era mesmo chamado de “chapéu da moda”.

Legenda da imagem | imagens retiradas de http://www.wisegeek.com/what-is-wool-carpet.htm | http://textileacademia.com/natural-fiber/wool-fibre/ | http://www.motherearthnews.com/diy/home/basic-alum-mordant-recipe-ze0z1312zbla.aspx | http://modernfarmer.com/2013/12/sheep-find-sheep-dreams/delaine-merino/ | http://textilebd-yarn.blogspot.pt/2012/02/macro-and-micro-structure-of-wool-fiber.html | http://www.archiexpo.it/prod/sheep-wool-insulation/product-105007-1010777.html | http://www.torbandreiner.com/online-shop-1/millinery-supplies/hoods/felt-hoods/fur-felt/fur-felt-capelines


terça-feira, novembro 24, 2015

Ciência e Tecnologia no Museu da Chapelaria



con·for·ma·dor |ô|
(latim conformator, -oris)

adjectivo
1. Que conforma

substantivo masculino
2. Aquele que conforma
3. Aparelho de chapelaria que determina a conformação exacta da cabeça

"conformador", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/conformador [consultado em 10-11-2015].


O conformador é um instrumento de medição de precisão, utilizado na indústria da chapelaria, para fabrico de chapéus rígidos, como a cartola ou o chapéu de coco.
Criado por volta de 1843, por Ally e Ailé Maillard, chapeleiros franceses, conta-se que terá sido usado inicialmente pela Frenologia (pseudociência que estudava a estrutura do crânio para aferir a personalidade e a criminalidade de uma pessoa) mas, rapidamente, foi adaptado à chapelaria.

No escritório da antiga Empresa Industrial de Chapelaria, Lda., hoje Museu da Chapelaria, o conformador era peça indispensável tendo aferido a forma e medidas exatas da cabeça de centenas dos seus clientes mais prestigiados.

Ao colocar o conformador na cabeça do cliente, tal como se de um chapéu se tratasse, este ajustava-se automaticamente à cabeça perfurando, num pequeno pedaço de papel situado no topo, a dimensão exata da medida e do formato da cabeça.
O papel era, depois, recortado pelas perfurações e colocado no centro do formilho, ajustando-se as hastes às extremidades do papel e bloqueando-as, com a ajuda de uma chave conseguindo-se, desta forma, recriar o tamanho e o formato exato da cabeça do cliente.
Chegando o chapéu ao sector da apropriagem, o apropriagista coloca o formilho no interior da copa e trabalha o feltro com o ferro quente garantindo que aquele ganhe as mesmas dimensões da cabeça do seu futuro dono.

Legenda da imagem | Conformador, formilho e chave MIC-000521-F | molde de cabeça – MIC-0008926-D | imagem de homem com conformador retirada de http://lumberjocks.com/projects/88319 | imagem de conjunto de moldes retirado de http://www.houseofninesdesign.com/2011/04/oh-joy-my-conformateur.html

sexta-feira, novembro 20, 2015

Semana da Ciência e da Tecnologia | 24 a 29 de novembro

A Semana da Ciência e da Tecnologia, promovida pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e pelo Pavilhão do Conhecimento, pretende proporcionar ao público oportunidades de observação científica e de contacto pessoal com especialistas de diferentes áreas do conhecimento.        
Este ano o Museu da Chapelaria também se associa a esta iniciativa, abrindo as suas portas a todos os que desejam contactar de perto com o mundo do saber e do conhecimento, envolvendo o público nas visitas temáticas e oficinas, especialmente preparadas para este tema.
Para esta semana o Museu da Chapelaria tem o seguinte programa:

24 a 28 de novembro
Ao longo de todo o dia | Visita temática “ FELTRO. O tecido-não-tecido”
O feltro é um complexo tecido-não-tecido porque não precisa de teares para ser tecido. Esta visita temática leva o visitante a descobrir a intrincada forma de produção da matéria-prima de um chapéu.
Duração | aprox. 60 minutos
Visita mediante marcação prévia.

24 a 29 de novembro
Ao longo de todo o dia | Desafio “Um Museu cheio de Ciência”
Entre os dias 24 e 29 de novembro, os visitantes e amigos do Museu da Chapelaria são desafiados a descobrir vários segredos guardados entre estranhas máquinas e ferramentas que outrora fizeram chapéus para todo o mundo. Durante esta visita o participante é ainda desafiado a registar em fotografia tudo aquilo que lhe pareça extraordinário. As fotografias e os comentários dos participantes serão posteriormente colocados no facebook, blog e instagram do Museu da Chapelaria, onde pretendemos partilhar publicamente as descobertas científicas dos nossos visitantes.
Fotografias | máx. 10 fotos
Visita livre ao Museu da Chapelarias ou visita guiada mediante agendamento prévio.

24 a 28 de novembro
Ao longo de todo o dia | Visita + Oficina “ as cores que nascem”
Com esta visita e oficina pretende-se trabalhar, de forma aprofundada, o tema da cor, a sua composição e as técnicas de tingimento usadas para dar cor aos feltros.
Duração | aprox. 60 minutos
Oficina mediante marcação prévia.

28 de novembro
Visita temática “Eu ainda sou Chapeleiro!”
Pela voz, mãos e experiência de antigos chapeleiros da Empresa Industrial de Chapelaria para, os visitantes irão descobrir nesta visita especial as diferentes técnicas utilizadas para a produção de um chapéu de feltro.
Duração | aprox. 60 minutos
Visita mediante marcação prévia e para grupos mínimos de 10 pax.

Estas atividades são gratuitas mediante marcação prévia.
Esperamos por si!
Para mais informações ou inscrições contacte o Serviço Educativo do Museu pelo telefone 256 201 680/2 ou pelo e-mail museu.chapelaria@gmail.com.
Para saber mais sobre esta iniciativa consulte o link http://www.cienciaviva.pt/semanact/edicao2015/

terça-feira, outubro 28, 2014

CONFERÊNCIA CIÊNCIA | O QUE É QUE A CIÊNCIA PODE FAZER PELAS CIDADES? | 31 OUTUBRO


O Presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Ricardo Figueiredo, convida V. Exª para a Conferência Ciência «O que é que a ciência pode fazer pelas cidades?», dia 31 de Outubro, pelas 21h30, no Auditório da Escola Secundária João da Silva Correia.
A Conferência, moderada pela jornalista Joana Costa, conta ainda com a participação de Fátima Martel, Nuno Cardoso Santos e Patrício Soares da Silva.
Esta é a quinta conferência do Ciclo Industrial - Uma Cidade em 30 anos, que visa refletir sobre quem somos e abrir janelas sobre o futuro.
Pretende-se que a cidade fale sobre si mesma, seja com olhar de quem vive por dentro, seja com o contributo de quem nela nasceu ou viveu e agora a percepciona de fora.
A entrada é gratuita!